


Um dos momentos mais tradicionais da manifestação popular no desfile de 2 de Julho, em Salvador, corre o risco de não acontecer este ano. Recomendação do Ministério Público do estado sugere que os 'Encourados de Pedrão', que representa a participação dos vaqueiros na guerra pela independência da Bahia, participem do desfile sem os cavalos. A solicitação foi impetrada no MP pela Associação de Proteção dos Animais da Bahia.
A entidade já moveu ações no MP envolvendo animais que eram usados em outras duas grandes manifestações do estado: o desfile do Bonfim e a lavagem do Garcia, que acontecem em Salvador. Segundo Ana Rita Tavares, do Movimento Humanitário Pró-Animal e da ONG Terra Verde Viva, a proibição pretendida por organizações que militam na causa se deve aos maus-tratos sofridos pelos animais. “O primeiro mau-trato é aquele que retira o animal do seu habitat natural para inseri-lo em um contexto de barulho, em que pessoas que se embriagam e jogam bebidas nos olhos dos animais, nas narinas. Eles sofrem demais”, comenta.
A Fundação Gregório de Matos (FGM), que organiza o desfile, diz que vai recorrer ao Tribunal de Justiça para assegurar a participação dos cavalos. "Nós somos favoráveis à participação dos animais, mesmo porque o 2 de Julho é a festa cívica mais importante da Bahia, tão importante quanto 7 de setembro, ou até mais. E os animais são integrantes dessa história. Com o cuidado devido, eles têm que participar”, avalia o presidente Ipojucã Cabral.
O coordenador dos Encourados, Anderson Maia, conta que os vaqueiros vão estar presentes com os animais, mesmo correndo o risco de serem retaliados. “Não há maus tratos nos nossos animais, eles são preparados para esse desfile. No percurso, eles descansam 15, 20 minutos, a depender da necessidade de cada um deles. Os caminhões que fazem o transporte são novos e, ao chegar lá, a sede do animal é saciada, igual a de todos nós”, comenta. O vaqueiro ainda acrescenta: “Será que a polícia montada também vai parar de andar com seus animais?”. Na cidade, a população não imagina o desfile sem a participação dos cavalos. “Se não tiver o cavalo não tem o vaqueiro”, diz um senhor.
O promotor de Justiça Heron Santana, titular da Promotoria do Meio Ambiente do MP na Bahia, disse que não existe nenhuma ação oficial do órgão em relação aos cavalos do 2 de Julho, mas que, entretanto, existe uma recomendação para que eles não sejam usados.
História
A tradição dos ‘Encourados de Pedrão’ é a manifestação popular mais antiga do município Pedrão, que fica a 131 km de Salvador. Foi iniciada há mais de 180 anos, como parte das comemorações da independência da Bahia. O grupo é formado por 40 cavaleiros, que representa a participação dos vaqueiros na expulsão dos portugueses em 1823. Há quase dois séculos são eles que abrem o desfile de 2 de Julho, que sai da Lapinha e vai até o Campo Grande, em Salvador. Vestido a caráter, os vaqueiros completam todo o percurso montados a cavalo. “Vaqueiro tem que ter o cavalo. Se é a tradição do desfile dos encourados tem que ser usado”, opina a professora Angélica Souza.
Erasmo Carvalho é um dos vaqueiros que desfila nas comemorações do 2 de Julho. Ele participa há 22 anos, afirma que discorda sobre a interferência e diz estar desanimado. “Não dá certo, não, acho que não tem como irmos. Eu já vi uns três ou quatro dizendo que não vão”, relata.
O escritor José Galdino se junta à luta em poesia. “O que a Bahia consagrou, na luta pela independência, heróis e vencedores. Por essa terra eu amor, a minha terra é lembrada. Bahia, Brasil, Pedrão, o final da caminhada”.
Fonte:
http://g1.globo.com/bahia/noticia/2011/06/mp-sugere-que-vaqueiros-de-pedrao-desfilem-sem-cavalos-no-2-de-julho.htmlCom ou sem polêmica, os Encourados de Pedrão, grupo de vaqueiros que abre o desfile do 2 de Julho, participam das festividades no próximo sábado, pelas ruas do centro antoigo de Salvador. O prefeito de Pedrão, distante 130 quilômetros de Salvador, Alceu Barros, garante que os 40 vaqueiros vão desfilar com seus cavalos. A ameaça de retirada dos animais, por solicitação da ONG Terra Verde Viva, com o apoio do promotor do meio ambiente do Ministério Público, Heron Santana, não ameaça o prefeito que nega maus tratos aos animais. A sugestão do promotor, de trocar os animais por alegorias, foi criticada pela historiadora e professora Consuelo Pondé. Ela lembra que o desfile é uma tradição histórica que precisa ser preservada.
Os imponentes cavaleiros com suas roupas de couro, representantes do homem do sertão, abrem a histórica manifestação há mais de 50 anos. A preocupação dos defensores dos animais sensibilizou o MP que proibiu o jegue na Lavagem do Bonfim e na Mudança do Garcia.
Com o tema “A Terra dos Encourados”, o município de Pedrão prepara um São João tradicional, para ficar na história. Serão três dias de festa, de 23 a 25 de junho. O forró, que será realizado na Praça da Igreja, cresce a cada ano, resultando do encontro dos principais elementos de uma festa popular. Os elementos principais para o sucesso da festa da cidade são tradição, cultura, grandes shows, gente bonita e uma infraestrutura adequada para receber a população e seus visitantes.
Os forrozeiros também poderão vivenciar um autêntico São João pé de serra no Arraiá do Mercado, com várias barracas tipicamente decoradas com bandeirolas para reproduzir o clima da roça e do interior, onde é possível saborear comidas e bebidas típicas da época. Este ano, a cidade de Pedrão também criou o espaço “Casa do Reboco”, que possibilita a exposição de artesanato e apresentações de manifestações culturais locais.
Grandes nomes da música regional serão as atrações dos dias de forró. Dentre os músicos anunciados pela Prefeitura para animar a festa estão:
Del Feliz,
Zé Duarte,
Flor d’Açucena,
Jô Miranda,
Neném do Acordeon,
Forrozão de Prata,
A Volante do Sargento Bezerra,
Itomixote,
Forrozão Versáteis,
Arroxadinho e trios de forró.
Também para aquecer seu coração e balançar seu corpo, o município vai apresentar no dia 23/06 quatro quadrilhas de outros distritos, ao som da sanfona, triângulo, zabumba e muita animação, recheada de atrações e que já se tornou bastante tradicional na cidade.
Como chegar:
Partindo de Salvador pela BR-324, sentido Feira de Santana, entrar depois de Amélia Rodrigues, passando por Conceição do Jacuípe e Coração de Maria. Daí é preciso seguir pela BA-084 até Pedrão. Ou antes de chegar a Conceição do Jacuípe seguir pela BR-101 e pegar a BA-503 até Pedrão. A distância entre a cidade e a capital é de 137 quilômetros.
Onde ficar e onde comer:
Para informações sobre opções de alimentação e hospedagem, a exemplo de casas para alugar, basta entrar em contato com a Prefeitura pelo telefone (75) 3428-2130.
FONTE: